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Tempo, nada

abril 20, 2013

Perdi o telefone,

Perdi os contatos;

Fiquei sem tua voz,

Sem sequer palavras

Para manter viva

A cor da esperança.

Mas não desisti;

Nem nessa distância

Que nos separava,

Que nos distinguia.

Lembrei o que disseste

Um dia de tristeza:

“Sabes onde eu moro

Conheces a porta

Que leva à minha casa.”

Então não parei.

Nem a geografia

Deteve meu pulso;

Esperei calado

Pela hora exata

Do dia possível,

E viajei a noite

Toda no silêncio.

Cheguei à cidade,

Andei até teu bairro,

Que tantas lembranças

Me trouxe de outrora;

As ruas que viram

Momentos felizes,

Os beijos roubados,

Mãos dadas tremendo

Banhadas em lua.

Divisei teu prédio;

Meu peito estourava;

Lágrimas contidas,

Pernas fraquejando.

Despi-me do medo,

Abri a velha grade,

Subi a escadaria;

O dedo tocou

No número gasto

Do apartamento.

Nada

Tempo

Nada

Enfim alguém disse,

Elétrico som,

Que estava enganado;

Que ninguém havia

Portando teu nome.

Vazio, dor, angústia

Desceram em mim.

Sentei minha ossamenta

Na soleira alheia;

Olhei em frente: céu

Quebrado em janelas,

Cinza, solitário;

Que não nos pertence,

Que não nos espia,

Que mal nos conhece.

Levantei, saí

Na calma gelada,

O rumo perdido.

Nada

Tempo

Nada.

.

.

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One Comment leave one →
  1. abril 20, 2013 10:42 am

    Que orgulho este meu ex-aluno escrevendo em português!!!!! E poesia!!!!!

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