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Nêga na Cidade

febrero 7, 2016

Nêga mineira

Encostada na janela

Do meu quarto no apê

Aqui em São Paulo,

Olhando com estranheza

Para fora da janela

Sem conseguir entender.

 

Nêga mineira

Não é de madeira…

Antes fosse,

Não se sentir raridade

No meio dessa cidade,

Que não é pra nêgo viver.

 

“Sai para a rua”

Eu disse à minha bela nêga;

“Sai para a rua

E bota a cara na gente”.

Ela me olhou de repente,

Como quem vê quem não entende.

 

“Vou sair sim, meu bem;

Passearei, enfeitada feita dona,

De vestido vaporoso,

Cabelo solto no ar.”

“Depois tu aguenta, meu rei,

Eu voltar toda confusa,

Em um choro vergonhoso

Humilhada para o lar.”

 

Nêga mineira…

Que triste sabedoria,

A vergonha fosse minha

E precisar me esconder.

Nessa cidade,

Nesse tempo e nessa hora.

Minha nêga, vamo’ embora

Pr’onde a gente possa ser.

 

 

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